Criar seu primeiro projeto Spring Boot leva poucos minutos: você gera a estrutura no Spring Initializr e sobe uma API REST simples. O Spring Boot é o framework Java que elimina a configuração manual e já traz um servidor embutido. Assim, você foca no código em vez de arquivos XML.

Neste guia para iniciantes, você vai entender o que é o Spring Boot. Depois, cria seu primeiro projeto do zero. Por fim, escreve um endpoint “Hello World” em Java e também em Kotlin.

A proposta é didática e prática. Portanto, começamos com uma analogia antes de qualquer configuração. Em seguida, seguimos passo a passo até o navegador responder com a primeira rota. Além disso, este é um dos poucos tutoriais em português com o mesmo exemplo em duas linguagens da JVM.

O que é o Spring Boot? (e por que ele facilita o Java)

Spring Boot é um framework Java que acelera o desenvolvimento de aplicações eliminando configuração manual (XML) e trazendo um servidor embutido (Tomcat). Você cria um projeto pronto para rodar no Spring Initializr e sobe uma API REST em minutos. Além disso, ele funciona com Java e Kotlin, e é o framework Java mais usado do mercado. Por isso, montar seu primeiro projeto Spring Boot é mais rápido do que parece.

Pense no Spring Boot como um apartamento mobiliado. No Java tradicional, você recebia um imóvel vazio. Ou seja, precisava instalar um servidor, configurar dezenas de arquivos e conectar cada peça manualmente. Tudo isso antes de escrever a primeira linha útil. Com o Spring Boot, a mobília já vem montada. Dessa forma, você começa a programar quase imediatamente.

Esse ganho não é apenas conforto de quem está começando. De fato, ele reflete a adoção real do ecossistema. Segundo o relatório da Snyk sobre o ecossistema Java (JVM Ecosystem 2025), 60% dos desenvolvedores Java usam o Spring como base das aplicações principais. Por isso, aprender Spring Boot cedo é um dos investimentos mais seguros para quem quer trabalhar com backend na plataforma Java.

Na prática, o framework resolve três dores clássicas de quem cria o primeiro projeto Spring Boot. Primeiro, o servidor embutido roda sua aplicação sem instalação separada. Em seguida, a autoconfiguração adivinha boas escolhas com base nas bibliotecas presentes. Por fim, os “starters” agrupam dependências relacionadas em um único pacote, então você não precisa caçar versões compatíveis uma a uma.

Spring vs Spring Boot: qual a diferença?

A diferença é simples: o Spring é o framework base, e o Spring Boot é uma camada que automatiza a configuração dele. O Spring (às vezes chamado de Spring Framework) existe há mais de uma década. Além disso, oferece recursos poderosos, como injeção de dependências e o módulo Spring MVC para web. Contudo, configurá-lo do zero exigia muito trabalho manual e conhecimento prévio.

O Spring Boot nasceu para remover esse atrito. Ou seja, ele não substitui o Spring, mas o embrulha em uma experiência pronta. Assim, você usa todo o poder do Spring por baixo, sem a configuração repetitiva que assustava os iniciantes. A tabela a seguir resume a comparação.

CritérioSpring FrameworkSpring Boot
ConfiguraçãoManual (XML ou Java verboso)Automática (autoconfiguração)
Servidor webExterno, instalado à parteEmbutido (Tomcat no pacote)
DependênciasAdicionadas uma a umaAgrupadas em “starters”
Tempo até rodarHoras para iniciantesMinutos
Curva de aprendizadoÍngreme no começoSuave para quem começa

Em resumo, se alguém pergunta qual usar, a resposta para quem começa é clara. Comece pelo Spring Boot. Você aprende o Spring de verdade enquanto trabalha. Assim, seu primeiro projeto Spring Boot sai sem a barreira inicial que faz muita gente desistir na primeira semana.

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Criando seu primeiro projeto Spring Boot no Spring Initializr

Para criar seu primeiro projeto, o ponto de partida é o Spring Initializr, um gerador oficial de estruturas Spring Boot. Ele monta o esqueleto do seu primeiro projeto Spring Boot com as dependências certas e entrega um arquivo pronto para abrir na IDE. Portanto, você não precisa configurar nada à mão. Basta escolher algumas opções e baixar o resultado.

Acesse start.spring.io no navegador e preencha os campos principais. Primeiro, em “Project”, selecione Maven, que é o gerenciador de build mais comum para quem começa. Em seguida, em “Language”, escolha Java ou Kotlin conforme a sua preferência. Depois, mantenha a versão estável do Spring Boot que já vem marcada por padrão.

Na seção “Project Metadata”, ajuste a identificação do projeto. O Group costuma ser algo como com.exemplo e o Artifact é o nome da aplicação, por exemplo demo. Depois, confira se o “Packaging” está como Jar. Uma versão LTS do Java, como a 17 ou a 21, é uma escolha segura.

Agora vem o passo que dá vida ao projeto. No painel “Dependencies”, clique em “Add Dependencies” e adicione o Spring Web. Essa dependência traz tudo o que você precisa para construir uma API REST, incluindo o servidor Tomcat embutido. Por fim, clique em “Generate” para baixar o ZIP com o seu primeiro projeto Spring Boot completo.

Descompacte o ZIP e abra a pasta na sua IDE preferida, como IntelliJ IDEA ou VS Code. Dentro dela, você encontra a classe principal com o método main e a anotação @SpringBootApplication. Essa classe é o coração da aplicação. De fato, é a partir dela que o Spring Boot inicia todo o resto quando você roda o projeto.

Sua primeira API REST: o Hello World com @RestController

Sua primeira API REST no Spring Boot precisa de apenas uma classe anotada com @RestController e um método com @GetMapping. No seu primeiro projeto Spring Boot, o controller é a peça que recebe as requisições HTTP e devolve as respostas. Dessa forma, quando o navegador acessa uma URL, o Spring encontra o método certo e retorna o texto que você definiu.

Veja a seguir o exemplo em Java. Crie um arquivo chamado HelloController.java dentro do mesmo pacote da classe principal e escreva o código abaixo.

Java
package com.exemplo.demo;

import org.springframework.web.bind.annotation.GetMapping;
import org.springframework.web.bind.annotation.RestController;

@RestController
public class HelloController {

    @GetMapping("/hello")
    public String hello() {
        return "Olá, Spring Boot!";
    }
}

O mesmo endpoint fica ainda mais enxuto em Kotlin, porque a linguagem elimina boa parte da verbosidade do Java. Crie um arquivo HelloController.kt e observe como a lógica é idêntica, apenas com menos cerimônia na sintaxe.

Kotlin
package com.exemplo.demo

import org.springframework.web.bind.annotation.GetMapping
import org.springframework.web.bind.annotation.RestController

@RestController
class HelloController {

    @GetMapping("/hello")
    fun hello(): String {
        return "Olá, Spring Boot!"
    }
}

Repare que a estrutura é a mesma nas duas linguagens. Em ambos os casos, a anotação @RestController marca a classe como um receptor de requisições, e @GetMapping("/hello") liga o método à rota /hello. Portanto, se você já entende o exemplo em uma linguagem, migrar para a outra é apenas questão de ajustar a sintaxe. Se quiser se aprofundar em como esses endpoints se organizam, vale conhecer melhor o que é uma API REST antes de avançar.

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Java ou Kotlin no Spring Boot? Qual escolher para começar

Para começar, Java é a escolha mais segura pela quantidade de material de apoio. Já o Kotlin oferece um código mais curto e moderno. As duas linguagens rodam sobre a JVM e têm suporte oficial de primeira classe no Spring Boot. Assim, nenhuma delas é uma decisão errada, e você pode até migrar depois sem reaprender o framework.

Java carrega a vantagem da maturidade. Como é a linguagem mais antiga do ecossistema, praticamente todo tutorial, curso e resposta em fórum usa Java como exemplo. Por isso, quando você travar em um erro, encontrar a solução costuma ser mais rápido. Além disso, entender Java ajuda a ler código legado, que ainda domina muitas empresas.

Kotlin, por outro lado, foi criado para reduzir a verbosidade e evitar erros comuns, como o temido null pointer. O código fica mais limpo e expressivo, o que agrada quem valoriza produtividade. Contudo, o volume de conteúdo específico de Kotlin com Spring é menor, então iniciantes às vezes esbarram em exemplos escritos apenas em Java. Se essa linguagem despertar seu interesse, comece pelo nosso guia de Kotlin para iniciantes.

Nossa recomendação é pragmática. Se o seu objetivo é empregabilidade rápida e você quer o maior acervo de material, comece com Java. Todavia, se você já programa em outra linguagem moderna e busca um código mais elegante, Kotlin será uma transição agradável. Em ambos os casos, o Spring Boot será o mesmo por baixo.

Como rodar e testar o Spring Boot localmente

Para rodar o Spring Boot localmente, execute o comando do Maven Wrapper na raiz do projeto e acesse a rota no navegador. Seu primeiro projeto Spring Boot já vem com o mvnw, um script que baixa a versão correta do Maven automaticamente. Dessa forma, você nem precisa instalar o Maven à parte para começar.

Abra o terminal na pasta do projeto e execute o comando abaixo. No Windows, troque ./mvnw por mvnw.cmd.

Code
./mvnw spring-boot:run

Aguarde alguns segundos enquanto o Spring Boot inicia. No fim do processo, o terminal exibe uma mensagem informando que o Tomcat subiu na porta 8080. Em seguida, abra o navegador e acesse http://localhost:8080/hello. Se tudo correu bem, a página mostra o texto “Olá, Spring Boot!” que você definiu. Nesse momento, seu primeiro projeto Spring Boot está oficialmente no ar.

Além do navegador, você pode testar a API com ferramentas dedicadas. Por exemplo, o comando curl http://localhost:8080/hello devolve a resposta no terminal. Da mesma forma, Postman ou Insomnia deixam você inspecionar cabeçalhos e status HTTP quando os endpoints ficarem mais complexos.

Quando terminar, pressione Ctrl + C no terminal para parar a aplicação. A partir daqui, o caminho natural é evoluir esse controller para algo mais real, como uma API que salva dados. Nesse ponto, conceitos de organização de código, como o Domain Driven Design, começam a fazer diferença na qualidade do seu projeto.

Quer uma base sólida de Java antes de avançar mais no Spring? Vale ter um livro de referência ao lado do teclado. Recomendamos o clássico Use a Cabeça Java. Ele ensina orientação a objetos e a sintaxe da linguagem de forma visual e didática. Por isso, dá a segurança necessária para entender o que acontece por baixo dos panos do framework.

Capa do livro Use a Cabeça Java 3ª edição
Use a Cabeça Java – 3ª Edição: guia do aprendiz para programação no mundo real
★ 4,8 (369) · Kathy Sierra e Bert Bates · Alta Books

Conclusão

Chegar até aqui significa que você já domina o essencial do primeiro projeto Spring Boot. De fato, o primeiro projeto Spring Boot deixou de ser um mistério. Primeiro, vimos que o framework mobília o Java para você e por que ele domina o mercado. Em seguida, geramos o projeto no Spring Initializr. Depois, escrevemos um controller em Java e Kotlin. Por fim, subimos a aplicação com um único comando no terminal.

O próximo passo é praticar. Portanto, crie novas rotas, experimente retornar objetos em vez de texto e observe o Spring converter tudo em JSON automaticamente. Depois, quando se sentir confortável, explore como estruturar melhor o código com padrões de arquitetura. Aos poucos, o que hoje parece mágica vira ferramenta do dia a dia. Assim, você terá dado o passo mais importante: o primeiro.

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Qual a diferença entre Spring e Spring Boot?
O Spring é o framework base, com recursos como injeção de dependências, enquanto o Spring Boot é uma camada que automatiza a configuração dele. Na prática, o Spring Boot embrulha o Spring em uma experiência pronta para uso, com servidor embutido e dependências agrupadas, então você começa a programar em minutos.
O que é o Spring Initializr?
O Spring Initializr é o gerador oficial de projetos Spring Boot, acessível em start.spring.io. Ele monta a estrutura da aplicação com as dependências escolhidas e entrega um arquivo ZIP pronto para abrir na IDE, o que dispensa qualquer configuração manual para começar.
Preciso saber Java para usar Spring Boot?
É altamente recomendável ter uma base de Java, já que o Spring Boot roda sobre a JVM e a maioria dos tutoriais usa Java. Você não precisa ser especialista, mas entender orientação a objetos e a sintaxe básica facilita muito o aprendizado do framework.
Dá para usar Kotlin com Spring Boot?
Sim. O Spring Boot tem suporte oficial de primeira classe ao Kotlin, e você pode selecionar essa linguagem direto no Spring Initializr. O código em Kotlin costuma ser mais curto que o equivalente em Java, mantendo as mesmas anotações e a mesma lógica do framework.
Spring Boot é difícil para iniciantes?
Não. O Spring Boot foi criado justamente para remover a complexidade da configuração do Spring tradicional. Com o Spring Initializr e o servidor embutido, um iniciante consegue subir sua primeira API REST em poucos minutos, sem lidar com arquivos XML ou instalação de servidor.

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