O ataque hacker na Binance de quinta-feira (29/10) levou cerca de US$ 6,3 bilhões de carteiras da própria corretora, que promete cobrir todas as perdas. Pelo novo comunicado dos co-CEOs (16h33 de 30/10, Brasília), os saques voltam em fases por volta das 2h30 de domingo (1º/11), se as checagens de segurança terminarem. Enquanto isso, os depósitos funcionam normalmente, e a empresa diz que o dinheiro dos clientes está seguro.
Resumo
- Saiu cerca de US$ 6,3 bilhões das carteiras da Binance, e a empresa promete cobrir tudo.
- Saques devem voltar em fases a partir da madrugada de domingo (1º/11), após as checagens.
- A Binance Brasil diz que os fundos dos clientes brasileiros seguem em carteiras frias.
Meu dinheiro na Binance está seguro?
Segundo a Binance, sim. De fato, no ataque hacker na Binance o dinheiro saiu de carteiras da empresa, e o comunicado oficial diz que “os fundos dos usuários estão seguros”. Além disso, a corretora afirma ter reservado US$ 6,34 bilhões do caixa próprio para o caso. Desse total, a Binance diz que US$ 5 bilhões já estão nos mesmos tokens que foram levados, o que cobre cerca de 80% do prejuízo.
Os outros 20% estão sendo comprados no mercado e em mesas de balcão (OTC). Por isso, a Binance prometeu uma nova prova de reservas: uma primeira “foto” dos saldos sai em até 12 horas após o comunicado, e o resultado deve ficar pronto na segunda-feira (2/11). Na prática, é esse relatório que vai permitir conferir a promessa de fora.
Changpeng Zhao (CZ), fundador e ex-CEO, também comentou o caso no X. Em seguida, lembrou que não comanda mais a Binance e disse que, como acionista, espera que todos os fundos dos usuários sejam cobertos (“I expect all user funds will be fully covered”). Ou seja, é a opinião dele, não um comunicado da empresa.
Por que não consigo sacar da Binance agora?
Porque a própria corretora travou os saques depois do ataque hacker na Binance. Primeiro, na noite de 29/10, ela suspendeu depósitos e saques por precaução. Em seguida, à 1h36 de 30/10, informou que os depósitos voltaram ao normal. No entanto, os saques seguem pausados enquanto a equipe refaz a segurança do serviço de saque e dos endereços ligados a ele.
Depois, às 16h33 de 30/10, o segundo comunicado oficial, assinado pelos co-CEOs Yi He e Richard Teng, deu o prazo: a equipe pretende começar a retomar os saques em cerca de 34 horas. Assim, se nada mudar, a volta começa por volta das 2h30 de domingo (1º/11), em fases. No entanto, a data depende de terminar as checagens de segurança, a correção e a validação dos sistemas afetados.
Em vídeo, Teng disse que a Binance está reconstruindo o serviço de saque e que só vai religá-lo depois que ele passar por testes rigorosos. Por outro lado, nenhum comunicado separa o saque em reais, via Pix, do saque de cripto. Portanto, confira o aviso dentro do app antes de tentar de novo.
Depois do ataque hacker na Binance, cuidado com golpes
Todo grande roubo atrai uma segunda onda de golpistas, que exploram o medo de quem está com saldo travado. Por isso, a regra é simples: só acredite no app e no site oficial da Binance.
Golpe à vista: a Binance não cobra taxa para “liberar saldo” e não dá suporte por Telegram ou WhatsApp. Além disso, não existe empresa que “recupere” cripto do hack, porque, segundo a Binance, o prejuízo é da corretora. Nunca passe frase de recuperação, senha ou código 2FA para ninguém.
O perfil Binance Brasil mantém fixado no X um alerta sobre isso. Segundo ele, não existe grupo de sinais, suporte via Telegram nem pagamento para liberar saldo. Além disso, desconfie de e-mail com link de “saque liberado”. Da mesma forma, evite perfis que respondem reclamações oferecendo ajuda. Recomendamos não tomar nenhuma decisão no susto enquanto os saques estão pausados.
Como proteger sua conta na Binance em 5 minutos
O ataque hacker na Binance mirou a infraestrutura da empresa, não as contas dos clientes. Ainda assim, vale revisar a sua. Assim, todas as opções abaixo ficam nas configurações de segurança do app:
- Autenticação em dois fatores (2FA): prefira chave de acesso (passkey) ou app autenticador ao SMS.
- Lista de endereços permitidos: com a lista ligada, os saques só vão para carteiras que você cadastrou antes.
- Código antiphishing: a palavra que você escolhe aparece nos e-mails reais da Binance. Logo, e-mail sem ela é falso.
- Dispositivos conectados: por fim, encerre as sessões que você não reconhece.
- Binance Verify: a ferramenta oficial confere se um site, e-mail ou perfil é mesmo da empresa.
Como foi o ataque hacker na Binance, explicado de forma simples
Toda corretora guarda parte das moedas numa carteira quente, ligada à internet para pagar os saques do dia. Na prática, funciona como o caixa de uma loja, em vez de ser o cofre (a carteira fria). Segundo a Blockaid e a TRM Labs, o alvo principal foi a “Binance 14”, uma das maiores carteiras quentes da corretora na rede Ethereum.
O invasor usou a EIP-7702, um recurso do Ethereum. Com isso, uma carteira comum passa a rodar o código de um contrato, desde que assine uma autorização. Para entender contratos, veja o nosso guia de smart contract no Ethereum. No entanto, cada autorização vale para um número exato de um contador da carteira, o nonce. Além disso, como a carteira seguia pagando saques, esse número mudava sem parar.
- 117h20: 50 autorizações de uma vezAssinadas com a chave da Binance 14, uma para cada nonce possível.
- 2Uma acertouA carteira passou a obedecer a um contrato “aspirador” do invasor.
- 317h24: a carteira foi esvaziadaFicou só 1 ETH, para pagar taxas.
- 418h44: segunda varreduraSaldo que entrou depois também saiu, sem nova assinatura.
Fontes: Blockaid e TRM Labs. Nas outras nove redes, a saída foi por transferências assinadas comuns.
Ou seja, o invasor não sabia o número atual e tentou 50 de uma vez. Mais tarde, a Binance diz ter revogado a autorização do endereço afetado. Por sua vez, Martin Köppelmann, cofundador da Gnosis, resumiu no X que a EIP-7702 só tornou o roubo mais eficiente e não foi a causa raiz.
Em seguida, no vídeo de 30/10, Teng contou o que a investigação do ataque hacker na Binance achou até agora. Primeiro, além do notebook, houve pontos adicionais de invasão. Segundo, a autorização dada pela EIP-7702 não passou pelos controles normais de aprovação da Binance. Além disso, o invasor usou um mecanismo de autodestruição que apagou ferramentas e rastros pelo caminho. Por fim, a empresa promete novas descobertas técnicas em cerca de 48 horas e um relatório completo (post-mortem) depois.
O que é fato e o que ainda é hipótese
| Ponto | Status | Quem diz |
|---|---|---|
| Prejuízo de cerca de US$ 6,3 bilhões | Confirmado | Binance (a TRM calcula US$ 6,36 bilhões; a Elliptic, US$ 6,43 bilhões) |
| Cerca de US$ 3 bilhões congelados | Informado pela Binance | Binance; a Elliptic verificou US$ 2,84 bilhões, quase tudo em USDT e USDC |
| Entrada por notebook de um engenheiro de DevOps | Hipótese inicial, ampliada | Binance, que depois achou “pontos adicionais” de invasão |
| Controles de aprovação contornados | Informado pela Binance | Richard Teng, em vídeo de 30/10 |
| Autodestruição de ferramentas e rastros | Informado pela Binance | Richard Teng, em vídeo de 30/10 |
| Saques voltam em fases em cerca de 34 horas | Previsão, com condição | Comunicado dos co-CEOs, 16h33 de 30/10 |
| Vazamento da chave privada | Sem evidência | Binance |
| Infraestrutura de assinatura comprometida | Avaliação externa | TRM Labs |
| Autoria da Coreia do Norte (TraderTraitor) | Atribuição externa | TRM Labs e Elliptic (“provável”), com confirmação da Chainalysis citada pelo BleepingComputer; a Binance não atribuiu |
Segundo a TRM, o ataque hacker na Binance equivale a cerca de quatro vezes o hack da Bybit, de US$ 1,5 bilhão, em fevereiro de 2025. Já a Elliptic, na versão das 16h30 de 30/10 da sua análise, conta que a Tether congelou 1,18 bilhão de USDT e a Circle, 823 milhões de USDC na carteira principal do invasor. Enquanto isso, ele troca o resto por ETH e outros ativos que não podem ser congelados.
E no Brasil? O que diz a Binance Brasil
Às 10h29 de 30/10, a BBrasil SPSAV, braço da Binance que atende os clientes brasileiros, publicou um aviso sobre o ataque hacker na Binance no perfil oficial da Binance Brasil no X. Segundo ela, “os fundos de seus clientes permanecem seguros”. Além disso, a empresa diz seguir os requisitos de segregação do Banco Central e manter os ativos em carteiras frias (cold wallets), fora da internet.
Ainda assim, os saques de cripto seguem “temporariamente suspensos” como medida preventiva, enquanto os demais serviços funcionam. No entanto, o aviso não fala de saques em reais nem de Pix. Mais tarde, às 18h27, o perfil publicou a versão em português do comunicado dos co-CEOs.
Já o prazo do Banco Central para as corretoras que já operavam no país protocolarem a primeira fase do pedido de autorização terminou em 30/10. Quem cumpriu o prazo pode seguir operando durante a análise. A Binance protocolou o pedido em 23/10, pela BBrasil, segundo o Portal do Bitcoin e o Economic News Brasil.
No entanto, pedido não é licença, e a análise do BC não tem data para terminar. Hoje, as movimentações em reais passam pela Binance Brasil Corretora de Câmbio. Na nossa checagem da manhã de 30/10, porém, não havia comunicado do BC sobre o ataque. Para outro caso recente de cripto e regulação, veja o que muda com a Hyperliquid e a Bolsa de Nova York.
Conclusão: espere o aviso oficial e reforce a conta
Até aqui, o ataque hacker na Binance foi contra o caixa da empresa, e ela promete cobrir tudo. Por isso, o mais útil agora é proteger a conta, ignorar quem oferece “recuperação” e esperar os saques pelo app. Logo, vamos atualizar este texto quando os saques voltarem, quando sair a prova de reservas e quando a Binance publicar o relatório técnico.
Publicidade


























