O Ethereum Glamsterdam representa a maior atualização da rede Ethereum desde o Merge de 2022. Previsto para o segundo semestre de 2026, esse hard fork promete transformar a infraestrutura do protocolo com ganhos expressivos de performance. Além disso, a combinação de três mudanças técnicas centrais — ePBS, BALs e gas repricing — posiciona essa atualização como um marco na evolução das blockchains de camada 1. Neste guia, você vai entender o que muda na prática, quais números importam e por que investidores institucionais estão prestando atenção.
O Que É o Ethereum Glamsterdam?
Glamsterdam é o nome do próximo hard fork do Ethereum. Ele combina duas atualizações simultâneas: Gloas, na camada de consenso, e Amsterdam, na camada de execução. Dessa forma, tanto a validação de blocos quanto o processamento de transações recebem melhorias ao mesmo tempo. A Ethereum Foundation descreveu o progresso como lento, porém constante, com devnets já em funcionamento.
Para entender a magnitude dessa mudança, pense em uma analogia simples. Antes do Glamsterdam, o Ethereum funciona como uma estrada de pista única: todas as transações passam por um único fluxo sequencial. Após a atualização, a rede ganha múltiplas faixas de rodovia, permitindo que transações sejam processadas em paralelo. Consequentemente, o throughput aumenta de forma significativa sem comprometer a segurança.
Desde o ciclo de atualizações de 2025, a comunidade Ethereum vinha preparando o terreno para essa evolução. Portanto, o Glamsterdam não surgiu do nada. Ele é resultado de anos de pesquisa em escalabilidade e descentralização. Se você ainda não domina os fundamentos dessa tecnologia, confira nosso guia sobre o que é blockchain antes de prosseguir.
O Que Muda na Prática: ePBS, BALs e Gas Repricing
O Ethereum Glamsterdam traz três mudanças técnicas fundamentais. Cada uma resolve um problema específico da arquitetura atual. Primeiro, vamos entender o ePBS. Em seguida, as BALs. Por fim, o gas repricing.
EIP-7732: ePBS (Enshrined Proposer-Builder Separation)
Atualmente, a construção de blocos no Ethereum depende de intermediários externos chamados relays. Esses relays conectam proposers (validadores que propõem blocos) a builders (agentes que montam o conteúdo dos blocos). No entanto, essa dependência cria pontos centrais de falha. Com o EIP-7732, a separação proposer-builder passa a acontecer diretamente no protocolo.
Na prática, é como se um tribunal deixasse de depender de um tradutor particular e passasse a ter tradução simultânea oficial. Assim, o processo se torna mais transparente e resistente a censura. Contudo, a Ethereum Foundation reconhece que essa é a mudança mais complexa do fork. Afinal, cada parte da stack precisa lidar com blocos parciais e coordenação entre duas partes.
EIP-7928: Block-level Access Lists (BALs)
As BALs representam uma repensar fundamental de como gas e acesso ao estado funcionam. Hoje, cada transação no Ethereum acessa o estado de forma sequencial. Por exemplo, se duas transações não compartilham dados, elas ainda assim esperam na fila. Com as BALs, o protocolo identifica quais dados cada transação precisa acessar e permite execução paralela quando não há conflito.
Similarmente ao ePBS, as BALs exigem devnets dedicados para testes. A Ethereum Foundation confirmou que os devnets de BALs enfrentam problemas esperados, mas estão avançando. Dessa forma, o ganho de throughput prometido pelo hard fork depende diretamente do sucesso dessa implementação.
EIP-7904 e EIP-8007: Gas Repricing
O terceiro pilar do Glamsterdam é o pacote de repricing de gas. Esse conjunto de EIPs reavalia o custo de operações na EVM para refletir melhor o custo computacional real. Além disso, o EIP-7954 aumenta o tamanho máximo de contratos inteligentes. Na prática, isso significa que desenvolvedores poderão fazer deploy de contratos mais robustos pagando menos gas.
Principalmente, o repricing funciona como habilitador do aumento do gas limit. Sem recalibrar os custos, elevar o limite de gas seria arriscado. Portanto, essas mudanças trabalham em conjunto para tornar o Ethereum mais eficiente e acessível.
Os Números que Importam: Ethereum Glamsterdam em Dados
Para além da teoria, os números dessa atualização impressionam. A tabela abaixo compara os parâmetros atuais da rede com as metas após o hard fork. De fato, a diferença entre o antes e o depois é dramática.
Comparação: Ethereum Antes vs Após Glamsterdam
| Parâmetro | Antes (2025) | Após Glamsterdam |
|---|---|---|
| Gas Limit | 60M | 200M (meta) |
| Throughput L1 | ~30 TPS | Até 10.000 TPS |
| Gas Fees (média) | Referência atual | Redução de ~78% |
| Construção de blocos | Relays externos (MEV-Boost) | ePBS nativo no protocolo |
| Execução de transações | Sequencial | Paralela (BALs) |
O gas limit atual de 60M serve como baseline para os testes. A Ethereum Foundation está testando limites muito superiores para entender as implicações. Logo, o repricing de gas é o que viabiliza esses limites mais altos de forma segura. Inclusive, a redução estimada de 78% nas taxas tornaria operações como swaps em DEXs e mints de NFTs significativamente mais baratas.
Para protocolos DeFi como o Aave V4, essas melhorias são transformadoras. Menos gas fees significam mais liquidez circulando e menores barreiras de entrada para novos usuários. Da mesma forma, a execução paralela permite que contratos complexos rodem sem gargalos.
Ethereum ETFs e o Momento de Mercado
O momento de mercado para o Ethereum não poderia ser mais favorável. Na semana encerrada em 10 de abril de 2026, os Ether ETFs registraram influxo semanal de US$ 187 milhões, o maior de 2026. Além disso, os influxos acumulados alcançaram o recorde de US$ 11,68 bilhões.
Enquanto isso, os Bitcoin ETFs registraram saídas de US$ 325,8 milhões em um único dia. Esse movimento sugere rotação de capital institucional em direção ao Ethereum. Consequentemente, o ETH superou o BTC em aproximadamente 8 pontos percentuais na semana, estendendo a vantagem para quase 9 pontos no mês.
A atividade on-chain reforça essa tendência. As transações diárias subiram 41% na semana, chegando a 3,6 milhões. No entanto, o volume de transferência de stablecoins caiu 42,6% no mesmo período. Isso indica mais atividade, porém com menos valor transacionado. Portanto, é importante acompanhar se esse crescimento se sustenta após o Glamsterdam.
Essa atualização funciona como catalisador de confiança institucional. Afinal, investidores tradicionais querem ver melhorias concretas de infraestrutura antes de alocar bilhões. A combinação de gas fees mais baixas, maior throughput e ePBS nativo endereça exatamente essas demandas. Similarmente, a tokenização de ativos reais (RWA) ganha força quando a rede base se torna mais eficiente.
Cronograma do Ethereum Glamsterdam e Próximos Passos
O desenvolvimento do Glamsterdam segue um processo rigoroso de testes. De acordo com a atualização Checkpoint 9 da Ethereum Foundation, os devnets generalizados estão em fase inicial. A estabilização do devnet de ePBS é pré-requisito para avançar.
Veja a seguir o cronograma estimado de desenvolvimento:
Timeline do Glamsterdam
| Fase | Status | Previsão |
|---|---|---|
| Devnets de ePBS | Em estabilização | Abril 2026 |
| Devnet generalizado | Pendente | Abril–Maio 2026 |
| Testnets (Holesky/Sepolia) | Não iniciado | Q2–Q3 2026 |
| Revisão de segurança | Não iniciado | Q3 2026 |
| Mainnet fork | Não confirmado | Q3–Q4 2026 |
A própria Ethereum Foundation admitiu que o Glamsterdam no Q2 de 2026 parece improvável. O processo segue uma sequência obrigatória: múltiplos devnets, releases de clientes, revisões de segurança, testnets públicos e só então o anúncio da data de mainnet. Por isso, a previsão mais realista aponta para o segundo semestre.
Após o Glamsterdam, o próximo fork planejado chama-se Hegotá. Sua principal feature será o FOCIL (EIP-7805), focado na camada de consenso. As propostas de EIPs não-headline para o Hegotá já estão abertas desde abril de 2026. Dessa forma, o desenvolvimento do Ethereum segue em cadeia contínua de melhorias.
Em relação aos riscos, o ePBS é o componente mais desafiador. A Ethereum Foundation destacou que ele exige que cada parte da stack raciocine sobre blocos parciais e coordenação entre duas partes. Todavia, os devnets existem justamente para identificar e resolver esses problemas antes da mainnet.
Conclusão
O Ethereum Glamsterdam é a maior mudança arquitetônica da rede desde o Merge de 2022. Portanto, seu impacto vai muito além de números de TPS ou redução de gas fees. A introdução do ePBS nativo, a execução paralela via BALs e o repricing de gas formam um pacote que redefine o que o Ethereum pode oferecer como camada base.
Lembre-se: atualizações dessa magnitude não acontecem da noite para o dia. Além disso, o mercado já está precificando expectativas, como demonstram os influxos recordes em Ether ETFs e o aumento de 41% na atividade da rede.
Primeiro, acompanhe o progresso dos devnets no blog oficial da Ethereum Foundation. Em seguida, monitore os testnets Holesky e Sepolia quando forem lançados. Por fim, avalie como o Glamsterdam pode impactar seus investimentos e estratégias em DeFi.




